segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Livro: Evelina

    


SINOPSE

    Evelina, a personagem-título é a filha não reconhecida de um dissipado aristocrata inglês e a filha adotiva de um provinciano reverendo. As circunstâncias do nascimento dessa ingênua, doce e elegante moça são um tanto nefastas e, por seu nascimento duvidoso, ela foi obrigada a viver em reclusão rural até os seus dezoito anos. Através de uma série de eventos humorísticos que acontece em Londres e na cidade turística de Bristol-Hotwells, Evelina faz sua entrada nas complexas camadas da sociedade do século XVIII. (sinopse da Editora Pedrazul)

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Autora: Frances Burney
Editora: Pedrazul
Páginas: 388
Ano em que foi escrita a obra: 1778 


RESENHA

    Antes de tudo, gostaria de agradecer à Editora Pedra Azul pela iniciativa de traduzir a notável escritora Frances Burney. Como fã de romances britânicos de época, considero-me presenteada com a publicação de Evelina.
   Logo que soube da publicação do livro, despertou em mim uma grande curiosidade, primeiro, por ser uma obra que inspirou Jane Austen a escrever suas próprias, especialmente, Orgulho e Preconceito, segundo, por ser um romance publicado em 1778. Do ponto de vista histórico, Evelina é um maravilhoso instrumento de estudo e de conhecimento da vida na sociedade inglesa do século XVIII.
    Evelina narra a trajetória de uma jovem órfã do interior (criada com esmero por um clérigo de grande caráter) a partir do momento em que ela é inserida na sociedade londrina. Inexperiente, inocente, sob os cuidados de amigos e sem nenhum parente presente para protegê-la de “raposas mal intencionadas”, a moça encontra-se sempre em apuros. A obra é uma crítica clara aos costumes da época, como por exemplo: às injustiças cometidas contra as mulheres sem um sobrenome de peso, ao desprezo cometido contra os mais pobres e ao pedantismo da nobreza.  
    Trata-se de um livro epistolar, escrito em cartas (1ª pessoa). Nunca havia lido uma obra com esta característica e confesso que temi não gostar do estilo. Porém, grata foi a surpresa que tive com a leitura. Achei delicioso ler um livro epistolar, pois ficamos íntimos do enredo e sentimos com mais intensidade o que se passa com o personagem que escreve. Também me agradou demais a tradução feita pela Editora Pedra Azul. Mesmo sendo um clássico do século XVIII, achei o desenrolar da história bastante dinâmico e objetivo.  Apesar disso, a linguagem é mais rebuscada e exige uma leitura mais atenta.
    O enredo é um drama/romance com excelentes doses de humor, um humor explícito que arrancou de mim algumas risadas altas. Em contrapartida, o leitor vivencia momentos de grande dramaticidade e emoção. Nas últimas cem páginas do livro, senti palpitações tamanha foi a agonia dos acontecimentos finais.  
    Espantou-me a paranoia que atormentava as pessoas na época com relação ao que os outros poderiam pensar. Havia uma preocupação excessiva com a opinião dos outros, de forma que todas as ações e palavras eram minuciosamente calculadas para não causar impressão indevida. Senti-me aprisionada com tantas convenções, exceto àquelas que fazem falta hoje, como a cordialidade e um toque de formalidade. Houve uma passagem na qual uma mensagem enviada por um personagem foi considerada extremamente ofensiva. Li mais de três vezes uma mensagem em uma passagem no livro e estou até agora tentando compreender onde está a ofensa.
    Outro fato que observei, aqui entre nós, será que todos os homens no século XVIII eram tão malas e pegajosos ao cortejarem uma mulher? Seria Lord Orville o único oásis de bom senso e razão perante os outros insensatos falastrões?
    Sobre as semelhanças com Jane Austen, não posso deixar de mencionar Lord Orville, o galã da história, que ao meu ver, conseguiu ser ainda mais fofo do que Mr. Darcy, já que lhe falta o orgulho pedante que sobra em Darcy.
    Uma frase que me marcou no livro foi: “Mas eu não sabia, até agora, quão requeridos são nascimento e fortuna à consecução de respeito e civilidade”.

    Recomendo demais a leitura de Evelina e aguardo ansiosamente por outras traduções de Frances Burney.
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